TL;DR
Em 30 de agosto de 2026, levantamento do Estadão publicado pela Mercado&Consumo mostrou que Casas Bahia, Americanas, Carrefour, Marisa e Magazine Luiza reduzem em mais de 1,1 mil o número de lojas físicas desde o fim de 2022 — conta que já inclui as 298 unidades que a Casas Bahia anunciou fechar em agosto. Três dias depois, em 2 de setembro, a CCJ do Senado aprovou a PEC que acaba com a escala 6x1 e fixou o calendário: 42 horas semanais dois meses após a promulgação, 40 horas em catorze meses. O ponto físico encolhe e a hora de quem atende fica mais escassa ao mesmo tempo — cada metro quadrado e cada hora de equipe que sobram passam a ser cobrados pelo que entregam.
O contraponto veio do setor público. Em 3 de setembro, o INSS anunciou ter zerado a fila da perícia, que tinha 3,12 milhões de pessoas em fevereiro. Uma das alavancas foi a perícia documental, que dispensa a ida à agência: parte da fila não foi organizada, deixou de precisar de prédio.
A loja que fecha é a que não pagou o próprio metro quadrado
No varejo de departamento, moda e eletro.
Os números reunidos pelo Estadão em 30 de agosto de 2026 contam a mesma história em cinco balanços: a Casas Bahia saiu de 1.133 lojas no fim de 2022 para 1.034 em junho de 2026 e anunciou em agosto o fechamento de outras 298; a Americanas passou de 1.803 para 1.470 até dezembro de 2025; o Carrefour caiu de 1.203 para mil; a Marisa, de 334 para 230; o Magazine Luiza, de 1.339 para 1.246. No mesmo período, as vendas online chegaram a R$ 423 bilhões em 2025, ou 14,4% do varejo, e o UBS BB projeta R$ 518 bilhões e 16,7% para este ano. A leitura fácil é que o físico perdeu. A leitura operacional é outra: as redes estão precificando cada ponto pelo que ele produz. A loja deixou de ser presença de marca e virou uma linha de P&L que precisa pagar aluguel, equipe e estoque parado — e a rede que sobra, menor, carrega mais demanda por unidade do que carregava antes.
O varejo não está abandonando a loja. Está cobrando dela o aluguel.
Fontes: Mercado&Consumo / Estadão · O Povo
A 6x1 ganhou calendário: 42 horas em dois meses, 40 em catorze
No varejo supermercadista, no comércio e nos serviços de operação contínua.
Em 2 de setembro de 2026, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou a PEC 221/2019 com apenas quatro votos contrários, e o relator Omar Aziz rejeitou todas as 36 emendas — inclusive as que tentavam preservar a opção pela 6x1, segundo a Agência Brasil. O texto garante dois dias de descanso remunerado e leva o teto semanal a 42 horas dois meses após a promulgação e a 40 horas catorze meses depois, sem redução salarial; ainda precisa de 49 dos 81 votos, em dois turnos, no plenário. O tamanho do impacto já estava medido: estudo da CNC de fevereiro/2026, noticiado pelo Poder360, estima 31,5 milhões de trabalhadores em jornadas diretamente afetadas, concentrados em comércio e serviços, onde 93% dos contratos formais passam de 40 horas. O debate público está preso em contratar ou não contratar. Para quem opera, a variável que decide é outra: quarenta horas bem posicionadas na curva de demanda cobrem o pico; as mesmas quarenta horas distribuídas por escala fixa pagam balcão parado às 10h e fila às 18h.
Com menos horas na semana, a pergunta deixa de ser quantas pessoas. Passa a ser em que horário.
Fontes: Senado Notícias · Agência Brasil · Poder360
⚠ O INSS zerou a fila da perícia. Parte dela saiu da agência.
Nos serviços públicos essenciais.
Em 3 de setembro de 2026, o ministro da Previdência, Wolney Queiroz, anunciou que a fila de espera por perícia do INSS foi zerada em agosto: eram 3,12 milhões de pessoas em fevereiro e 1,547 milhão em julho, até que os novos pedidos passaram a superar o estoque pendente, segundo a Agência Brasil. Entre as alavancas citadas estão servidores novos por concurso, telemedicina em 865 agências, mutirões de fim de semana e a perícia documental — avaliação feita só com documentos, sem que o segurado precise ir a uma agência, como detalhou o Correio do Estado. É o argumento mais forte contra quem enxerga toda fila como problema de organização da chegada: parte dela se resolve eliminando a chegada. O resto do quadro pede cautela — o tempo médio de resultado ficou em 34 dias, 224 mil pessoas seguem além do prazo legal de 45 dias e a entrada é de 1,3 milhão de pedidos por mês. E há um detalhe que a palavra "zerada" esconde: para quem ainda espera, o indicador agregado não muda nada. A espera é lembrada por quem a viveu, não pela média do painel.
Algumas filas se organizam. Outras deixam de precisar de endereço.
Fontes: Agência Brasil · Correio do Estado
A pauta da semana
"Quando a rede encolhe, o metro quadrado que sobra não pode ficar parado."
Os cinco casos listados pelo Estadão têm histórias próprias, mas convergem no mesmo critério de corte: fica aberta a loja cujo metro quadrado paga o que custa. Isso muda o que se espera de cada ponto que sobrevive. Uma rede que fecha 298 lojas não fecha, necessariamente, 298 lojas de clientes — quem não migra para o app procura a unidade mais próxima. E a loja que continua aberta recebe esse fluxo com a mesma área de venda, os mesmos provadores e o mesmo balcão de crediário que tinha quando dividia a região com a vizinha.
É aí que os dois primeiros sinais da semana deixam de ser pautas separadas. O calendário da PEC dá catorze meses para que essa mesma loja opere com teto de 40 horas semanais por pessoa. Menos pontos, mais demanda por ponto, menos horas por atendente: as três curvas apertam o mesmo lugar — o momento em que o cliente está dentro da loja e alguém precisa atendê-lo. No eletro e no departamento, onde a venda ainda depende de vendedor disponível na hora em que o cliente chega, esse momento é a própria margem.
Onde isso pesa primeiro: nas redes que fecharam lojas em cidades médias e esperam que a unidade restante absorva a clientela da região. Se cada loja da sua rede tivesse que se justificar pelo que produz por hora de equipe — e não por metro quadrado de vitrine —, quantas passariam no orçamento de 2027?
Radar compilado em 21 set 2026. Fontes verificadas; nenhum dado inferido ou extrapolado sem citação.